Ciclo de cinema: A partida

Texto:   Núcleo de Psicanálise de Santos e Região

O Ciclo de Cinema O Olhar da Psicanálise e Outros Olhares é uma atividade do Núcleo de Psicanálise de Santos e Região aberta ao público em geral e que tem como motivação fazer dialogar a psicanálise com outras visões sobre o ser humano a partir da reflexão sobre filmes.

A escolha dos filmes é orientada por um tema, que neste primeiro semestre de 2010 será “Fim…e recomeço”. Após a exibição, um integrante do Núcleo e um profissional de outra área, convidado de acordo com o tema escolhido, comentam a obra.

O Ciclo de Cinema acontece sempre aos terceiros sábados do mês, às 15:30 hs, no Auditório do Campus Vila Mathias da Unisantos, à Rua Carvalho de Mendonça, 144. A entrada é gratuita.

Fim … e recomeço

Não seria melhor dar à morte o lugar na realidade e em nossos pensamentos que lhe pertence apropriadamente? Sigmund Freud, 1915

Sempre brincamos dizendo que a única certeza que temos é a de que um dia vamos morrer. Mas a morte, como tudo, mora ao lado. Vai acontecer com o vizinho, mas sua família viverá eternamente.

Negamos sua existência até que um choque de realidade nos coloque diante dela – seja ela a morte anunciada ou inesperada. Revolta, desalento e temor são sentimentos que estão ali, à flor da pele.

Para pensarmos no dinamismo da própria vida, usufruindo, contudo, da condição de uma existência onde pontifiquem uma identidade e uma individualidade próprias, escolhemos o tema “Fim…e recomeço” para discutirmos neste primeiro semestre de 2010.

O fato de estarmos vivos nos coloca frente a frente com um grande desafio: buscar o que nos é mais “apaixonante”, aquilo que nos dará movimento – mesmo que em outros momentos isso vá nos paralisar diante do que é belo ou terrível – e será sempre fonte da nossa criatividade e vitalidade, embora às vezes nos acarretem o cessar da própria vida.

A angústia perante a finitude da vida e perante a incapacidade de determinar nossa própria existência e ainda a fragilidade do momento testam nossa capacidade de lidar com as perdas. Podemos falar sobre a morte ou mesmo vê-la como acontece nos velórios, por exemplo, desde que o seu significado afetivo mantenha-se afastado da consciência.

Trata-se de um tempo da delicadeza. Delicadeza que há no encontro quando tudo parece sinalizar para a perda e o desencontro. A morte nos fala de um vínculo que se rompe de forma irreversível, da “completa derrocada” em que caímos frente à morte de uma pessoa amada. Ao se perder o objeto amado a dor pode se colocar como insustentável e intolerável. Como disse Freud, “nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amammos”. É esse sofrimento que na hora da morte de um ente querido nos leva aos limites da loucura.

Mas e quanto ao nosso fim? Não há no nosso inconsciente registro de nossa própria morte. Por isso, é impossível simbolizá-la.

É a aceitação da morte e a consciência da brevidade da vida que movem as pessoas a valorizar mais o que têm em mãos e a viver plenamente. Assim, aceitar o caminho para a morte é viver.

HOJE – 26 DE JUNHO – Sábado – 15:30 HS

Filme:  A Partida (Japão, 2008) – melhor filme estrangeiro – Oscar 2009

Comentários:

Keiko Miyasaki Teruya (Médica pediatra)

Maria Lúcia de Almeida Console Simões ( Núcleo de Psicanálise )

Local: Auditório do Campus Vila Mathias da Unisantos

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