Frustração, exercício de amadurecimento

 

Texto: Janaína G. O. Hazarian

Em nossa vida adulta, todos os dias vivenciamos algum tipo de frustração, seja em casa, no trabalho ou com os amigos. 

As crianças devem estar preparadas para essa realidade. Mas como? Elas exigem, batem o pé, querem tudo e querem já. Tem listas de presentes para o dia do aniversário, dia das crianças, Natal. Fazem levantamento de preço pela internet e enviam para os pais com todos os detalhes do produto.

E os pais? Como reagem? O que fazer?

Na difícil tarefa de educar os filhos, pais oscilam entre a permissividade e o autoritarismo. Como se estivessem andando numa corda bamba.

Antes de tudo, é necessário definir os próprios valores e regras de convivência. É preciso deixar bem claro quais são os valores pertinentes a sua família. Muitas crianças demonstram dificuldades em entender o que é certo e o que é errado, pois não há uma delimitação clara por parte de seus pais. Uma vez definido o limite, é preciso respeitá-lo, inclusive os pais.

Limites não são agradáveis, mas são imprescindíveis para a formação de indivíduos autônomos, responsáveis e maduros. Crianças “pedem” limites, é uma forma de se sentirem amados, cuidados, vistos e reconhecidos pelos pais.

Encontramos crianças que escolhem onde a família irá almoçar no domingo, definem o cardápio alimentar, a programação da televisão, e tantas outras tarefas que são função dos pais.

Dizer não é fundamental para o desenvolvimento emocional da criança. Um “não” dado com afeto e firmeza, poderá transmitir segurança e proteção.  Com certeza ela irá insistir e pedir explicações, dizendo: “Por que não mãe?”. Nesse caso explique de forma simples e sucinta porque está dizendo “não”. Procure ser objetivo e não entrar no jogo da criança e ficar se explicando demais. Esse comportamento provocativo e insistente da criança é natural e esperado, os pequenos são espertos e tentarão ir o mais longe possível, aumentando sua margem de liberdade e poder. Outro ponto importante é ter em mente que o “não” refere-se a “conduta” naquele momento, não a “criança”, isso ajuda a não interferir na auto-estima, que é um dos pilares para o desenvolvimento saudável. E não se pode exagerar em proibições desnecessárias, deixando a criança com pouca espontaneidade, ou o contrário, um rebelde. Mantenha o equilíbrio e o bom senso no cuidado com seu filho.

O segredo é construir uma relação de confiança, poder dizer “não” sem medo de magoá-lo, sem projetar suas próprias frustrações, seus medos. Sem a necessidade de preencher a relação de vocês com “coisas”, dando tudo que ele quer. Desse modo, mesmo que ele não entenda ou aceite o “não”, saberá que é amado por seus pais e que eles se preocupam com seu bem estar.

Frustração do filho e também dos pais. É difícil ouvir não, mas é bem pior ter que dizer a quem mais se ama.

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