Por que queremos ter filhos?

Texto: Anuário do bebê

Esta é a grande questão dos casais pós-modernos. Com o avanço da medicina e das novas tecnologias, ganhamos longevidade e qualidade de vida, acesso à informação imediata e conhecimentos para esbanjar.

O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e a escassez do tempo segue a mesma proporção. Em compensação, nos deparamos com uma nova realidade para a qual não estávamos preparados: precisamos tomar muitas decisões. Ter filhos, por exemplo, antes era destino, agora é escolha. Adiar a gravidez até o momento que achar ideal por meio de prevenção com camisinha ou outros anticoncepcionais (dados até pelo Governo Federal em postos de saúde), ou simplesmente não ter filhos, são opções.

De acordo com a psicóloga Vera Maluf, autora do livro Fertilidade & Maternidade: o desejo de um filho (Editora Atheneu), o desejo de gerar uma criança não basta. Também é preciso ter vontade! “O desejo é dado pela psique, libido, biologia – é um fato natural. A vontade é construída pela consciência, disciplina, interação – é um fato social. Educar é a arte de construir valores”, define a especialista.

Então, como saber que chegou o momento? A grande hora vem quando o casal começa a solucionar uma série de dúvidas e toma suas decisões. E, quanto mais consciente das dificuldades, percalços e atributos sobre essa aventura, mais acertada será sua posição de ter o bebê. E, segundo médicos e psicoterapeutas, há três segmentos que devem ser consultados: a biologia, a emoção e a razão. “Biologicamente, a melhor idade para engravidar é entre os 20 e 25 anos, que é o auge da fertilidade feminina. Depois disso, o período fértil cai gradativamente, e a parti dos 35 a queda é mais acentuada”, diz a ginecologista e terapeuta sexual Mariana Maldonado, do Rio de Janeiro. Porém, o que mais vemos são mulheres postergando sua primeira gestação o máximo possível, sem sofrer qualquer risco para a mãe ou para o feto. “Isso não significa que a maternidade ficou em segundo plano. Na verdade, estabelecer-se primeiro como prossional e financeiramente é, no fundo, uma etapa para melhorar sua relação com o pequeno”, diz a terapeuta Lana Harari, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

Para o lado emocional, é bom que os futuros papais tenham em mente que um filho não chega para trazer felicidade. O certo é que ele venha para compartilhar a felicidade que já existe na vida do casal.

É verdade que um filho dá sensação de plenitude, de imortalidade. Mas ele precisa chegar em um lar com estrutura emocional equilibrada, que garanta um crescimento saudável.

Quanto à razão, este é um ponto lógico da vida. Um bebê demanda esforços, atenção, tempo. “É a primeira experiência irreversível da vida adulta, a qual supõe um compromisso permanente e integral com um outro ser, que somente se encerra com a morte”, relata o psicanalista gaúcho Gley Costa.

Deixar de ser um casal para se tornar uma família é uma das maiores felicidades que alguém pode experimentar, mas estamos diante de dois parâmetros bem distintos: a maternidade e o dever de educar. São duas áreas do cérebro opostas uma à outra. O lado maternal é a força que concorre com o instinto e a emoção. O instinto de perpetuação e a emoção de ser mãe, de amar e ser amada, de ver nos olhos do filho um sentido para sua existência. Nada mais é que uma experiência que não pode ser explicada, a compreensão vem com a vivência “Ter um filho, engajar-se numa ligação vertical quase indestrutível, é um empreendimento fascinante e, ao mesmo tempo, esmagador, dada a amplitude da tarefa”, completa Lana Harari.

Os deveres assumidos com o pequeno pertencem ao círculo da lógica, mas também passam pela consulta da emoção, senão viveríamos numa relação fria e sem ternura.
E dentro dessas obrigações diárias se esconde a grande causa da ansiedade humana. Pois a escolha de gerar um outro ser requer grandes renúncias individuais.

“Querer ter um filho vai além do querer. É um desejo, e o desejo é irracional”, conclui a psicóloga e pesquisadora Maria Yolanda Makuch, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mas se não basta apenas o desejo de ter filhos, o que mais é preciso? Gerar uma vida entre dois amores é maravilhoso, é uma emoção que agrega razão à sua própria vida. Apesar do trabalho duro que é a criação de um bebê, aqueles olhinhos brilhando e um sorriso que marca as covinhas são suficiente para apagar qualquer dificuldade da sua rotina.

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