Troque o príncipe pelo lobo mau

Texto:  Margarida Telles (Revista Época)

Eu sempre adorei contos de fadas. Acho que por isso fiquei horrorizada quando chegou às minhas mãos o livro Troco o príncipe encantado pelo lobo mau. Mas depois olhei melhor para a capa e notei que ela continha a foto de um homem sem camisa com um tanquinho invejável. Decidi que poderia valer a pena ler o primeiro capítulo para ver se estou desatualizada e agora o lobo mau não é mais tão mau assim.

O livro da jornalista espanhola Raquel Sánchez Silva pretende mostrar como a mulher moderna é refém de ideias ultrapassadas, presentes nos contos de fadas. Segundo a autora, a mulher atual “deseja uma troca de papéis nos contos de fada. Sem meios-termos. Da boazinha para a malvada. Uma mulher livre de fraquezas aparentes que foge das cores pastéis”. Não tenho nada contra as cores pastéis, mas tudo bem. Entendi a ideia.

Os nomes dos capítulos são ótimos. “Mate a Sininho e envelheça comigo” aborda o ciúme louco que sentimos das amigas e ex-namoradas dos nossos namorados. “Traições da fada madrinha” fala das fura-olhos (aquelas meninas que usam a amizade para tentar seduzir nossos homens). Já “Uma supernanny para o Peter Pan” é sobre os diferentes tipos de homens imaturos. Mas o meu capítulo favorito foi “Uma noite de sexo com o Capitão Gancho”, sobre o uso de vibradores.

O livro é divertido e mostra bem o seu ponto: às vezes é mais legal ser a rainha malvada, com suas roupas góticas incríveis, do que a princesa perfeitinha com o vestido de mangas bufantes. A leitura é gostosa, mas Troco o príncipe encantado pelo lobo mau não é do tipo de livro que dá vontade de ler todo de uma vez. Na hora de fazer as metáforas com os contos de fadas, a autora força um pouco a mão. No meio dos capítulos a comparação se perde, e dá lugar a temas atuais, como relacionamentos, canalhice e homens em geral. Senti um pouco de falta de uma estrutura narrativa melhor, que tornasse as abobrinhas sexuais mais contextualizadas, como em O diário de Bridget Jones, de Helen Fielding, ou que explorasse com mais poesia o cotidiano, como em É claro que você sabe do que eu estou falando, de Miranda July. Mas se o objetivo for matar o tempo, o livro garante boas risadas.

Você acha que os contos de fadas são machistas? Prefere fugir do príncipe e cair nas garras do lobo mau?

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