Primaveras

Texto: Casimiro de Abreu

A primavera é a estação dos risos.
Deus fita o mundo com celeste  afago,
Tremem as folhas e palpita o lago
Da brisa louca aos amorosos  frisos.

Na primavera tudo é viço e gala,
Trinam as aves  a canção de amores,
E doce e bela no tapiz das flores
Melhor  perfume a violeta exala.

Na primavera tudo é riso e festa,
Brotam  aromas do vergel florido,
E o ramo verde de manhã colhido
Enfeita a fronte  da aldeã modesta.

A natureza se desperta rindo,
Um hino  imenso a criação modula
Canta a calhandra, a juriti arrula,
O mar é calmo porque o céu é lindo

Alegre e verde se balança o  galho,
Suspira a fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa:- Como é  linda a veiga!
Responde a rosa: – Como é doce o orvalho!

“Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores” (Cecília Meireles)

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