(in)completude

santos anna mello

 

 

 

 

 

 

 

 

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Texto:  Carla Andrea Ziemkiewicz

Estamos acostumados com a idéia da falta, da perda e da quase impossibilidade de alcançar desejos e metas por deficiência de recursos, especialmente os internos. Como se o copo nunca ficasse cheio pela falta de líquido para completa-lo. Estar aquém nos inquieta e angustia e todos conhecemos bem esta sensação. Mas também existe o oposto. Possuir muito mais recursos à oferecer do que a possibilidade de realizá-los ou de alguém disposto a receber. Ter mais líquido do que aquele copo comporta e esse transbordamento significar um triste desperdício. Pode-se pensar em encher outro copo ou guardar, conter para outra ocasião. Mas esse não era o desejo real, aquele manancial de recursos voce ansiava designar àquele fim e não à outro. Tanto quanto a falta, o que inadequadamente chamemos de excesso, causa angústia, frustação, desamparo. Digo inadequado porque para quem é possuidor desse manancial, não o sente como excesso, apenas como seu repertório. Pode ser criatividade, inteligencia, amorosidade, generosidade entre outras. Ter de conter, reprimir torna-se tarefa muitas vezes insustentável, a causar sofrimento. Como lidar com essa dor? Assim como a falta busca ser preenchida, esse manancial precisa de um espaço que lhe dê continência. Espaço suficientemente bom. Esperá-lo pacientemente, ao invés de desperdiçar. Ou quem sabe encontrar novas possibilidades de realização. Outros rios por onde possa fluir livremente sem represar tanta potencialidade. Adaptações necessárias, embora frustantes…

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Uma resposta a (in)completude

  1. Irineu diz:

    A sensação de felicidade ao sermos generosos faz com que as cicatrizes emocionais possam ser afagadas pelo prazer de servir.
    O perigo da generosidade é o seu excesso desmesurado, aquele que muitas vezes praticamos sem perceber que não está servindo para ajudar quem nos cerca, e acabamos prejudicando nossa ajuda, seja ela material ou emocional. Por isso mesmo é que precisamos dosar a medida da água no copo e principalmente a dose que iremos oferecer para quem tem sede, pois o efeito poderá causar a morte pela sede ou pelo excesso de líquido ingerido.

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